A polêmica da castração de pets – de que lado você está?

Apesar de já bastante conhecida, a castração de pets ainda gera muitas dúvidas. Por conta de algumas informações compartilhadas sem o conhecimento exato sobre o tema, há quem pense que castrar os bichinhos pode colocá-los em risco ou gerar sofrimento. Muitos tutores ainda acreditam que a castração traz dor e sofrimento para o pet, o que não é verdade!

Hoje em dia trabalha-se com técnicas minimamente invasivas, com um corte muito pequeno que não fica nem cicatriz, e cuja recuperação é muito mais rápida que a técnica tradicional. Já não são mais necessários os curativos, o uso do colar na cabeça, roupinhas cirúrgicas e nem sequer retirar pontos, ou seja, quase não dá mais trabalho no pós-operatório, tanto de machos quanto de fêmeas.

Na verdade, hoje se reconhece que o procedimento, feito com toda segurança e acompanhamento dos profissionais especializados, traz muitos benefícios para a vida dos pets, independente da espécie e do sexo.

Para entender as especificidades do processo de castração, trazemos alguns dos principais benefícios e mitos que giram em torno do assunto.

  1. Cadelas e gatas castradas antes do primeiro cio têm mínimas chances de desenvolverem tumores de mama quando se tornarem idosas. O tumor de mama é o câncer mais comum nesses animais. Além disso, o procedimento evita totalmente a possibilidade de tumores de ovário e útero.
  2. As fêmeas ficam menos vulneráveis a infecções uterinas graves (piometra), já que o seu aparelho reprodutor é removido. A piometra é uma infecção uterina grave, de origem bacteriana, que ocorre em cadelas e gatas e, se não tratada, pode levar a choque séptico e morte. A doença acontece durante o final do ciclo reprodutivo, na fase da liberação do hormônio progesterona, geralmente de 1 a 2 meses após o cio da fêmea.
  3. Nos machos, a castração previne totalmente a incidência de tumores testiculares, diminui consideravelmente o câncer de próstata, as hérnias perineais e a hipertrofia prostática, comum em machos idosos. Essas doenças frequentemente causam infecções e outros distúrbios urinários.
  4. O animal geralmente se torna mais comportado, diminuindo as fugas, brigas e os atropelamentos, principalmente em felinos.
  5. No macho, diminuem os comportamentos de marcação de território através da urina e a “mania de montar”, no caso dos cachorros.
  6. Nos gatos, reduz a incidência da AIDS felina. Os gatos podem ser portadores do FIV (vírus da imunodeficiência felina), levando a uma síndrome semelhante à humana. O vírus é transmitido pelo cruzamento e por mordidas. Vale ressaltar que a AIDS felina é específica dos gatos e não pode ser transmitida ao homem de forma alguma, nem por mordidas, arranhões, lambidas ou contato com o sangue, urina, saliva e fezes dos gatos.
  7. As fêmeas não entram mais no cio, poupando os tutores de lidar com o sangramento e com possíveis cães de rua importunando.
  8. Seu amiguinho pode ficar mais dócil, facilitando a interação e reduzindo situações problemáticas – especialmente entre os que tinham comportamento agressivo antes.
  9. Elimina a gravidez psicológica que afeta algumas fêmeas após o cio, quando acontece o inchaço das mamas e pode causar irritação. A gravidez psicológica, também conhecida como pseudogestação ou pseudociese, acontece quando tem uma disfunção hormonal que ocorre entre seis e quatorze semanas após o estro ou cio e, inclusive, quando não há cópula. A pseudogestação caracteriza-se pela apresentação de sinais clínicos e físicos de prenhez e mimetização de comportamentos pré, peri e pós-parto.
  10. A expectativa de vida dos cães castrados é maior. Os machos castrados, em geral, vivem aproximadamente 14% a mais.

Mitos sobre a castração:

– “O procedimento de castração é cruel e perigoso”
Não! A cirurgia para a castração é realizada com anestesia geral; pode ser utilizada a anestesia inalatória, que proporciona maior segurança aos pacientes. Esse tipo de anestesia está conquistando mais espaço em clínicas e hospitais veterinários, e grande parte dessa adesão se deve à facilidade do controle da profundidade do plano anestésico e as baixas taxas de metabolização dos fármacos, isto é, a anestesia inalatória veterinária permite maior tranquilidade aos profissionais em relação ao tempo que o paciente é submetido ao procedimento acarretar prejuízos à sua saúde. O fármaco é inalado pelo paciente que assim que é retirado do aparelho começa a recobrar a consciência e logo fica totalmente acordado; o pet não sente dor e tem recuperação rápida no pós-operatório.

– “Os pets engordam após a castração”
O aumento de peso em cães e gatos não está diretamente relacionado à castração, e sim a diversos outros fatores como o sedentarismo, A ingestão excessiva e incorreta de alimentos, alterações hormonais, entre outros. Antes ou depois de castrar, reconheça a importância de uma rotina para seu animalzinho que inclua caminhadas e brincadeiras frequentes.
Atualmente, grande parte da população de cães e gatos está sofrendo de obesidade, um mal, assim como nos humanos, que coloca em risco toda a saúde do pet, alterando suas taxas metabólicas, comportamento e interação com o dono.

– “Castrar afeta o ‘emocional’ e a personalidade dos cães e gatos”
É comum escutar que castrar os animais de estimação pode torná-los mais preguiçosos, desanimados e sem energia. Na verdade, o que se deve considerar é que o passar do tempo traz naturalmente a maturidade dos bichinhos e, com isso, uma possível diminuição na energia. Filhotes castrados ou não castrados podem ter o mesmo ritmo.

– “Castração faz o macho perder a masculinidade”
Machos castrados não se tornam homossexuais ou “menos machos”. Cães e gatos comprovadamente apenas copulam para procriação e não por prazer. A castração acaba com este instinto de procriar.

Para quem acha que pets castrados não crescem e se desenvolvem como deveriam, conheça o Bonno: macho, castrado quando ainda era filhotinho.

Portanto, seja qual for a raça, porte ou idade de seu cão ou gato, tome uma atitude responsável: realize a castração!

Para essas e demais dúvidas ou esclarecimentos, procure a Dra. Vanessa Schlichta, (@vanessa_schlichta) que contribuiu com as informações deste texto.

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Autora: Vanessa Schlichta   •  @vanessa_schlichta

Revisão: Maria Paula Mäder  •  Gang Team Conteúdo & Notícias – Goldenlícia

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