Como enviar um cão ao exterior?

A criadora Patrícia Chaerki Igreja apresenta o Billy e conta em detalhes como a Goldenlícia ganhou seu primeiro membro internacional…

Da Redação Goldenlícia

 

Mandar encomendas para o exterior já é uma coisa bastante complicada. Agora, você já pensou na possibilidade de enviar um cãozinho para outro país? Essa missão – que parece impossível – surgiu na vida da criadora Patrícia, que descobriu que esse serviço existe, mas exige atenção e rigor aos procedimentos.

Como o pet pode embarcar sozinho, muitas companhias aéreas estabelecem regras para cães e gatos de pequeno e médio porte.  Mas e um GOLDEN RETRIEVER vai nessa?  Ela garante que sim… Enviou uma encomenda pra lá de especial para os Estados Unidos e, hoje, Billy está em casa e feliz em terras norte-americanas.

Acompanhe a entrevista:

Goldenlícia: – Patrícia, primeiramente, conta direito essa história, como um filhote foi encomendado do exterior?

Patrícia: – Estava com uma linda ninhada, quando uma moça brasileira que mora nos Estados Unidos, entrou em contato comigo interessada em um dos filhotes. Fiquei muito feliz, mas, ao mesmo tempo, preocupada, pois sabia que o envio não seria fácil. Tudo começou quando precisei saber o valor que iria cobrar por todo o processo. E entenda como “todo o processo” não somente a passagem, mas documentação, caixa de transporte e também todas as vacinas necessárias, vermífugos, alimentação pelo tempo que o filhote teria que ficar, até completar a idade suficiente para viajar, entre outros detalhes que somente um criador sabe.

Goldenlícia: – E como foi conseguir esse tipo de informação?

Patrícia: – Tinha uma certa “pressa” em saber primeiramente o valor. Fiz todos os cálculos e entrei em contato com um amigo, também criador, que já havia enviado muitos filhotes para vários países. Ele, então, me informou um valor médio, como funcionava todo o processo e como ele costumava fazer para enviar.  Pois bem, informei para a moça o valor e como funcionaria de forma geral e o negócio estava fechado! Todos ficaram muito felizes!

Goldenlícia: – Era só o começo, né?

Patrícia: – O meu próximo passo foi a parte mais burocrática: o envio em si. Quais os documentos, idade, qual o tipo de caixa de transporte… Entrei em contato com uma moça que este me amigo criador indicou. Parecia tudo bem, mas ela cobrou um valor muito alto e, o pior, não me pareceu muito atenciosa e disposta a dar detalhes para uma pessoa que estava com muitas dúvidas e inseguranças.  Então, antes de fechar, fui atrás de mais informação, afinal queria garantir o melhor para todos! Comecei a ir atrás de outras pessoas: colegas que já enviaram, pesquisas no Google, empresas…. Claro que, como tudo na vida, cada um tinha uma opinião. A maioria dizia que era um processo muito simples e que, inclusive, eu mesma poderia fazer sozinha, como tantas outras pessoas fizeram, mas eu não estava muito certa disso.

Goldenlícia: – Sozinha como? Você ia levar o cachorro?

Patrícia: – Naquele momento fiquei muito tentada a ir sozinha levar o filhote. Assim, seria muito melhor conhecer a dona pessoalmente, eu me sentiria muito mais segura acompanhando o filhote. No Google e no Youtube não faltam dicas e pessoas relatando o quanto é fácil e simples, pessoas normais dando prestando informações, contanto suas experiências, listando os documentos e, inclusive, dando dicas com o famoso “jeitinho brasileiro” para que tudo funcione mais fácil e barato. Pode ser que, na época, ou por sorte ou dependendo do país ou da idade do cão, tenha dado certo, mas não é assim que as coisas funcionam e, com certeza, existem detalhes importantes para a segurança e saúde do bichinho.

Goldenlícia: – Além de ter que fazer o visto americano e tudo mais, mais custos, o que você decidiu sobre isso?

Patrícia: – No meio do caminho, recebi uma super indicação de um homem que leva cães para o mundo todo. O trabalho da vida dele é esse, assim me contaram. Realmente, no Facebook deste homem tem muitas fotos e agradecimentos. Ele me cobrou um valor tentador, metade ou menos do que realmente gastei. Mas, mais uma vez, meu instinto, bom senso e responsabilidade gritaram mais alto. A indicação era de um dos maiores canis do Brasil, mas, ainda assim, não me senti segura por todo o contexto. Além disso, para mim, um bom atendimento passa segurança e isso não acontecia nem um pouco, muito menos apresentação em fotos pessoais. Sabia que logo eu encontraria a empresa/pessoa certa a me ajudar. Afinal, muitos filhotes são enviados diariamente para todas as partes do mundo. Por fim, encontrei a empresa certa para nós! A Voe Pets, da veterinária Wendi, dona de um hospital de Curitiba.

Goldenlícia: – Como que essa empresa te passou mais confiança?

Patrícia: – Nesta altura eu estava quase indo sozinha levar, mas recebi uma indicação dela. A Wendi foi extremamente atenciosa e fez coisas que nenhum outro comentou e se dispôs a fazer. Ela me convidou a ir pessoalmente, conversar com ela e me passou todos os detalhes de todo o processo. Além disso, esteve sempre em contato com a dona do Billy tirando as dúvidas do lado de lá. Afinal, a dona dele também tinha seus receios e dúvidas. Importante frisar o que eu sempre digo: se existem profissionais para fazer certa coisa, é porque não é tão simples assim. Sempre existem detalhes importantes que se perdem, e por isso é importante dar valor a todo profissional. É claro que no dia a dia, por questões financeiras, práticas ou por falta de conhecimento, muitas vezes erros são cometidos ao não se escolher um profissional e tentar fazer coisas com as próprias mãos.

Goldenlícia: – Escolhida a empresa, como se deu o transporte?

Patrícia: – A empresa foi muito profissional do começo ao fim. Me deixou extremamente tranquila, fizemos contrato, o filhote foi retirado em minha casa, durante todo o voo recebemos notícias e fotos, tirou todas as dúvidas… Essa decisão foi muito importante. A caixa em que o Billy foi enviado era enorme, mas mesmo assim teve que ser trocada no dia, além do mais, o voo atrasou e então ele teve todo o apoio no aeroporto. Detalhes que jamais eu poderia imaginar que aconteceriam. Com certeza, se eu fosse, por conta própria, teria um problema imenso nas mãos! Onde iria arranjar uma caixa maior e melhor do que aquela com tanta rapidez? E todo o apoio com fotos enquanto o filhote esperava? A quantidade de documentos era enorme, foi difícil até mesmo para a Wendi com seus mais de 10 anos de experiência. As normas em relação ao envio de filhotes sempre mudam e mesmo todas as informações de Google e YouTube não acompanham.

Goldenlícia: – Ele chegou bem? Como foi o procedimento no país de destino?

Patrícia: – Quando o Billy chegou nos Estados Unidos também não foi nada fácil. Não é somente chegar e pegar o animal. Eles exigem muitos documentos, pagamento de taxa e são extremamente rígidos. Tanto que o Billy chegou e teve que ficar alguns longos minutos esperando sem poder sair do aeroporto até que tudo estivesse ok. O auxílio da empresa também foi fundamental! Confesso que, em alguns detalhes, a força de vontade minha e da dona do Billy também foram bem importantes. Afinal não dá para deixar tudo nas mãos da empresa, e isso fez a diferença também. Eu e a dona do Billy ficamos bem unidas e sempre em contato. No final acabou tudo muito bem. O Billy foi enviado com 4 meses. Foi muito bem tratado durante o voo, recebeu água e comida, foi solto sempre que possível. Claro que o coração ficou bem apertado até ele chegar em casa.

Goldenlícia: – Praticamente cuidados em tempo integral! Antes disso, também foi necessária alguma preparação?

Patrícia: – Ele recebeu todas as vacinas normalmente e também os vermífugos. O microchip para aquela cidade não era obrigatório, mas mesmo assim ele recebeu. Foi um controle ainda mais rígido, para que ele ficasse muitíssimo bem, principalmente, nos dias antes da viagem. O Billy foi cuidado como se fosse de vidro!  Mandei muitas fotos e vídeos para que a dona pudesse acompanhar o crescimento dele. No mais ele foi tratado normalmente, pois ele precisava disso. Procurei ensinar o básico como sentar antes de comer, dar a patinha, andar com a guia. Além, é claro, de muita socialização com os parentes caninos. Dei todas as orientações, como dou para todos os clientes e até mais, pois era um caso especial. Tive que me informar como funcionavam as vacinas nos Estados Unidos, a questão de leis para posse de cães, etc. A comida também foi um desafio pois a dona quis fazer alimentação natural, tive que ensinar tudo por vídeo e mandar um cardápio para ela ir se preparando. Ele precisou comer um pouco de ração na viagem e agora ele está comendo uma ração incrível, quase como uma alimentação natural.

Goldenlícia: – Um super cuidado para que ele crescesse saudável e também para se adaptasse à viagem?

Patrícia: – Teve também a preparação para a viagem. Fizemos por um mês o treinamento na caixinha, outro diferencial da Voe Pets. Recebemos a caixinha e então fomos trabalhando com petiscos específicos, tranquilizando o filhote, que já é extremamente calmo. Ele recebeu alguns medicamentos naturais, para melhorar a imunidade, respiração e evitar hipoglicemia –  coisas que poderiam ser afetadas, devido à longa viagem. Todos detalhes extremamente importantes e que não foram mencionados em nenhum momento em que fiz minhas pesquisas e também desconhecidos por muitos veterinários.

Goldenlícia: – Com toda essa experiência, outros filhotes podem ser enviados para outras partes do mundo em breve então…

Patrícia: – Hoje sou grata à dona do Billy pela experiência incrível que ela e ele me proporcionaram. Deixou uma saudade imensa… Acompanho com muito carinho e orgulho esse meu primeiro netinho internacional. É bom lembrar que um cachorro não é uma encomenda qualquer, se trata de uma vida, portanto, nada de pechinchar! É importante levar em conta as experiências de outras pessoas e, principalmente, de um profissional, bem como ter organização para que o cão e o dono tenham todos os apoios necessários.

 

 

* Os textos são originais da Redação Goldenlícia, a reprodução é permitida somente se citada a fonte. 

Fotografias: Patrícia Chaerki Igreja.