Enforcador: o nome já diz tudo, mas a gente vai explicar um pouco melhor!

Enforcadores, colares de adestramento, guias unificadas: diferentes nomenclaturas para a mesma ferramenta. O objetivo é causar desconforto ou até mesmo dor diante de algum comportamento inadequado, com o intuito de “corrigi-lo”. Com a repetição, o cão deixará de praticar tal comportamento, pois terá associado à punição.

DANOS FÍSICOS

O pescoço é uma região bastante sensível, tanto no corpo humano quanto no corpo do cão. Ali está a garganta, que possui glândulas excretoras de hormônios, como a tireoide, podendo causar desordens nesse sentido. Alguns nervos da medula espinhal também ali se localizam. O uso dessa ferramenta também poderá aumentar a pressão intraocular, causando problemas nos olhos, agravar e até causar um quadro de colapso de traqueia, entre diversos outros danos.

Fonte da imagem: https://rehabvet.com

DANOS PSICOLÓGICOS

Sabemos que os cães aprendem por associações. Ivan Pavlov, cientista russo, nos mostrou o chamado condicionamento clássico, que contribuiu de diversas formas, em diferentes áreas, como a psicologia, a psiquiatria e o comportamento (inclusive canino). Dessa forma, ao educar um cão utilizando o enforcador, será essa associação negativa, causada pelo tranco, que ele fará a todos os estímulos a que for exposto utilizando a ferramenta. Exemplo: se ao ver um cachorro, e demonstrar alguma reação, o cão é corrigido com o enforcador, ele começará a associar a presença de outros cachorros a algo ruim. Poderá deixar de reagir sim, por medo das consequências, mas cada vez mais estará associando aquele evento a algo negativo. Com esse tipo de conduta, estamos reprimindo um comportamento, apenas isso. Um passeio, que era para ser um momento prazeroso, acaba se tornando um momento de tensão.

De acordo com a teoria de Skinner, pai da psicologia comportamental, os aprendizados ocorrem sim por associação, mas o que mantém o comportamento é a consequência. Assim, se o cão pratica uma ação e consegue algo que quer, essa ação se repetirá. Se ele pratica essa ação e não consegue o que quer, a tendência é que, aos poucos, deixe de acontecer. Se ele pratica a ação, e recebe algo ruim em troca, o comportamento é apenas momentaneamente cessado. É o chamado comportamento de esquiva, que seria uma evitação por medo da punição, o que gera ansiedade. Gerando ansiedade, elevamos os níveis de stress, o que não só causa consequências psicológicas, como também físicas.

Fonte da imagem: https://www.dogster.com

 

Um outro ponto a ser esclarecido se refere aos motivos pelos quais alguns cães, mesmo usando enforcador, demonstram querer passear. A questão é que o cachorro tem, por natureza, o impulso e a vontade de querer explorar lugares novos, é uma necessidade natural. Nessa situação, poderá ocorrer o que Skinner chamou de conflito de emoções, o que também irá gerar ansiedade e stress a longo prazo.

Além de tudo isso, é importante lembrarmos que qualquer método de treinamento que faça uso da força, incluindo o enforcador, fragiliza os laços entre cão e tutor, pois prejudica a confiança. Educar inclui dar liberdade, ajudando o cão a fazer boas escolhas. Afinal, não queremos uma relação pautada em medo ou receio, não é mesmo?!

Nossa dica Goldenlicia para você: busque se informar, pesquise, participe de grupos de WhatsApp, converse com outros tutores, invista em um profissional capacitado para ajudar você e seu cão a terem uma relação harmônica. Com certeza você não irá se arrepender! Mas lembre-se: ao contratar um adestrador, opte sempre pelo adestramento positivo, e fique longe de profissionais que ainda utilizam enforcador e punição para educar seu cão, pois isso pode ter consequências irreversíveis no comportamento dele e na relação de vocês!

Referência consultada: https://www.sfspca.org/behavior-training/prong/studies/

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Autora: Pamela Rosalinski   •  @caodefamiliaadestramento

Revisão: Maria Paula Mäder  •  Gang Team Conteúdo & Notícias – Goldenlícia

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