Você já ouviu falar em Ansiedade por Separação?

A “SAS” (ou síndrome de ansiedade por separação) é um problema que já atinge muitas famílias, desde que os cães passaram a fazer parte delas. E em tempos de “quarentena”, com uma rotina confusa e as emoções à flor da pele, esse problema tende a se agravar.

E é possível resolver esse problema?

Primeiro é importante dizer que você pode ficar tranquilo: apesar dessa síndrome ter aumentado muito devido à aproximação das família com seus cães, isso não significa que essa seja a causa do problema, tampouco que seu cachorro terá de ser afastado de vocês para ficar bem, pelo contrário, para resolver esse problema, você vai precisar estar ainda mais sensível ao seu cão e aos sinais que ele manifesta.

Então vamos lá: o que é, afinal a ansiedade por separação?

Primeiro precisamos entender o que é a ansiedade. Em termos leigos, ansiedade é a expectativa exagerada de que algo, geralmente ruim, possa acontecer.  De acordo com o dicionário, a definição de ansiedade é Desconforto físico e psíquico; agonia, aflição, angústia. Desejo intenso e impetuoso; impaciência, sofreguidão, avidez. Ausência de tranquilidade; medo, receio.
Tendo isso em mente, imagine que sempre que seu cão fica sozinho, todas essas emoções surgem de forma muito intensa nele.

E por que isso acontece?

Não existe uma causa única, pois cada cão é um indivíduo e vai ser levado a essas situações por causas muito individuais. Em linhas gerais, essa emoção é desencadeada quando o cão desenvolve uma dependência emocional muito grande, seja ela causada por uma socialização pobre, por algum trauma, alguma mudança repentina, ou até a superproteção da família enquanto filhote.

Mas atenção: apenas um bom diagnostico técnico pode identificar as causas, e ainda assim, em muitos casos, é difícil entender exatamente o que levou o cão ao quadro de SAS, pois as famílias só conseguem perceber isso quando o cão já está em um “quadro avançado’’.

Como posso saber se meu cão sofre de SAS?

Chegamos ao ponto mais importante do texto: aqui muitos vão se identificar, mas vale lembrar que somente um profissional poderá diagnosticar de forma adequada se o seu pet sofre de ansiedade por separação.

Para saber se seu cãozinho sofre desse mal, saiba primeiro entender que, se seu amigo vai ficar ansioso antes mesmo de ficar sozinho – isso mesmo que você leu – antes mesmo de fechar a porta de casa ele já vai estar ansioso, é exatamente aí que você vai ter que saber se ele sofre ou não de SAS.

Apenas para facilitar seu entendimento, os cães são mestres em fazer associações, e são também muito bons observadores, sendo assim, ele rapidamente entende sua rotina, suas manias e seus hábitos. E isso se estende também para os momentos que antecedem a sua saída.

Tá confuso? Calma que explicamos! Independente de para onde você está indo –  trabalho, faculdade, academia ou comprar um chinelo novo pois seu cachorro destruiu o seu –  antes de sair de casa, com certeza você faz algumas coisas “em comum”, como tomar café, colocar os sapatos, pentear o cabelo, pegar a chave do carro etc.,  e é exatamente em algum desses momentos que seu cão começa a ficar ansioso.

Vamos entender isso melhor: imagine que todos os dias você sai para a faculdade às 7h da manhã. Você acorda, toma banho, prepara um café, confere sua bolsa e segue seu rumo. Se seu cachorro sofre de SAS, em algum desses momentos ele começa a ficar ansioso, porém, como naquele momento ele não é seu foco, esses indícios/sinais de que ele está ansioso acabam passando despercebidos para você.

Agora entramos no ponto crítico! Como identificar esses sinais?
Para os mais inexperientes pode ser bem difícil, principalmente para os tutores de primeira viagem. Mas calma, nem tudo está perdido! Podemos fazer uma espécie de teste de observação para percebermos esses sinais.

Primeiro, separe um dia/momento que você tenha disponibilidade para fazer essa experiência, pois ela vai demandar tempo e muita atenção. Basicamente o que você vai fazer é uma simulação de “ir à faculdade”, mas com foco total no seu cão.

Antes de iniciar essa experiência, conheça os sinais mais comuns que um cachorro emite ao começar a ficar ansioso.

Importante: alguns desses sinais podem não ser comportamentais, mas sim reações fisiológicas do organismo do cão. Confira algumas:

*Pupilas dilatadas.


(Foto: depositphotos)

*Respiração ofegante.


(Foto: pets.webmd.com)

*Suor nas patas.

*Choramingar ou latidos estridentes.

*Andar inquieto.

*Bloquear sua saída e/ou tentar sair com você.

 

Dica extra I : Quando você não está em casa, observe se seu cão apresenta algum desses comportamentos:
*Não comer ou tomar água;
*Destruir moveis e objetos;
*Chorar ou arranhar a porta. (seus vizinhos vão te contar);

Dica extra II: Hoje você encontra câmeras de acesso remoto a preços muito acessíveis, e que podem ser fortes aliados a um treinamento.

Agora que você já conhece esses sinais, vamos ao experimento?
Acorde normalmente e siga a rotina como se fosse de fato sair de casa, porém, a cada passo que você fizer, observe seu cão procurando nele qualquer um desses sinais.
Vamos pegar como exemplo uma ação muito comum: vamos supor que quando você pega a chave de casa, ele começa a chorar. Pronto, você acaba de identificar pelo menos um dos gatilhos que leva seu cachorro a ficar ansioso. Lembre-se, não existe receita de bolo, aqui usamos apenas um exemplo, seu cachorro com certeza vai agir diferente do cachorro daquela amiga para a qual você vai mandar esse texto. [Você vai mandar, né?] Então até aqui identificamos que seu cachorro começa a ficar ansioso quando você pega a chave de casa. O que devemos fazer agora?

Como tratar a SAS?

Veja, você já sabe o que é, como identificar e até mesmo em que momento seu cachorro começa a ficar ansioso. E agora, como fazer para ajudar o seu amigo?
Existem algumas formas de resolver esse problema, e nós vamos falar aqui da mais comum, que ajuda em casos mais leves.

Caso seu cachorro esteja muito ansioso, procure a ajuda de um profissional.
Em linhas gerais, o que você precisa fazer é mudar o significado desse gatilho (a chave de casa). Hoje seu cachorro entende que sempre que você pega a chave ele vai ficar sozinho, e por consequência isso começa a gerar ansiedade nele. A ideia de dar um novo significado a essa chave é basicamente fazer com que ela não desperte qualquer reação no seu cachorro, ou seja, ele percebe que você pegou a chave e não se importa mais.

Imagine que quando você sai, seu cachorro entende que ele perdeu alguma coisa, nesse caso o que você tem que fazer é compensar essa perda de alguma forma, de preferência com alguma coisa que o cachorro goste, valorize e tenha um significado bom para ele, como por exemplo um brinquedo recheável.

Mas afinal, como fazer isso?

Na prática, o que você deve fazer é associar o momento em que você pega a chave ao momento em que ele ganha o brinquedo, ou seja, o que antes significava perda, hoje significa ganho. Para isso, reserve um dia que você não precise realmente sair de casa, pois você não quer que ele não associe o brinquedo com a sua saída.

O que você vai fazer nesse dia é: Pegar a chave de casa  > pegar o brinquedo > entregar para o cão > e ficar em casa na sua rotina normal.

Quantas vezes preciso fazer isso? Quantas forem necessárias, não existe uma média. Faça até que seu cachorro não associe mais a chave à sua saída.

Mas e se ele “viciar” no brinquedo? De fato, isso pode ocorrer. Para prevenir isso, você pode criar uma grande variedade de brinquedos e fazer esse exercício de maneira “aleatória”, em dias e horários variados. Se ainda assim ele ficar condicionado ao brinquedo, você pode ir diminuindo aos poucos o recheio ou a dificuldade até que não seja mais necessário. Mas é muito melhor ele esperar um brinquedo do que ficar ansioso, concorda?

Ah, não se esqueça: esse exercício deve ser feito para todos os gatilhos que despertam sinais de ansiedade no seu cão, a chave de casa foi apenas um exemplo!

Mas é só isso? Não! Existem outras duas coisas que podem ajudar.

A primeira delas é mudar a sua rotina antes de sair. Lembra de todo aquele “ritual” que você faz antes de sair? Então a ideia é mudar a ordem dele. Por exemplo, se você, antes de sair, toma banho, toma café, se arruma, pega as coisas e sai, pode fazer em uma sequência diferente: tomar café, tomar banho, leva suas coisas para o carro, volta para casa, se arruma e sai. O Ideal é que isso seja feito de forma bem aleatória.

A outra coisa, mas que só funciona para os cães que são muito bons no passeio, é justamente fazer uma passeio antes de sair. Então você faz toda aquela sequência diferenciada que viu logo acima, pega seu cachorro, dá uma volta no quarteirão, chega em casa, dá o brinquedo, e sai para trabalhar.

Nesses dois casos você quebrou o ciclo na mente do cão, porém, isso não quer dizer que ele não vá ficar ansioso sozinho, apenas que ele vai estar menos sensível aos momentos que antecedem sua saída.

Então, no final das contas, o que você precisa fazer é mostrar ao seu cão que, quando você sai de casa, não significa que algo ruim vai acontecer, e que além disso ele ainda vai receber muitas coisas legais!

Mas lembre-se: isso tudo são apenas dicas. A SAS deve ser acompanhada por um profissional!

E para fechar com uma dica de ouro, que vale também para os não ansiosos. Faça muito enriquecimento ambiental! O enriquecimento ambiental, como o nome já sugere, consiste em tornar o ambiente do cachorro rico em estímulos. Esses estímulos devem sempre propor a ele um desafio, ser algo que faça com que o cão fique ocupado, entretido em conquistar ou resolver algo. O mais comum deles é o enriquecimento ambiental alimentar, em que seu cachorro tem que conquistar a comida. Alguns exemplos disso são os brinquedos recheáveis, já citados acima, e com eles o seu cão vai precisar ficar por pelo menos 30 minutos tentando pegar toda a comida. Para saber mais sobre isso é só dar uma olhada na internet ou seguir nosso Instagram @elevedogadestramento. Mas já posso garantir: o enriquecimento ambiental muda vidas!

 

BRINQUEDO RECHEÁVEL – MONSTRINHO (MARCA PET GAMES)

Resumindo, não é nada fácil tratar ansiedade por separação, mas é perfeitamente possível, desde que você tenha empatia e paciência.

Lembre-se, a ansiedade é uma emoção, e não um comportamento!

________

Autor: Filipe Reclitski   •  Elevedog Adestramento

Revisão: Maria Paula Mäder  •  Gang Team Conteúdo & Notícias – Goldenlícia

________

 

Quer ver outros assuntos em nosso blog? Estamos super abertos a receber sugestões: @goldenliciabr

Siga-nos nas redes sociais e acompanhe as próximas Gang News!

* Os textos são originais da Redação Goldenlícia, a reprodução é permitida somente se citada a fonte.